segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

A Usina Santa Martha: patrimônio cultural da cachaça gaúcha.

Fonte - Rodrigo Trespach.

Este post conta a história da Usina Santa Martha, que produziu a primeira marca registrada e legalizada de cachaça no Rio Grande do Sul e que continua sua saga agora na linha de produtos Weber Haus. Mas tudo começou bem antes... mais de 150 anos antes...

As primeiras mudas de cana chegaram ao Rio Grande do Sul no início da década de 1770, trazidas pelos imigrantes açorianos e de outras regiões e ilhas portuguesas. Há indicações que os primeiros engenhos e possivelmente pequenos alambiques gaúchos foram instalados pelos irmãos portugueses Manoel e Antônio Nunes Benfica no local conhecido como Posto da Guarda, atual município gaúcho de Santo Antonio Da Patrulha. O imigrante Domingos Fernandes Lima, trouxe mudas  de cana da Ilha da Madeira e se instalou na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Arroio, onde iniciou a produção de açúcar e aguardente em um engenho instalado na margem da Lagoa da Pinguela, atual município de Osório. O primeiro documento sobre este assentamento é a requisição do título de posse da área em 1890 que cita o ano de 1878 como o início da produção de cachaça no Rio Grande do Sul. Posteriormente, os imigrantes alemães e italianos desenvolveram e deram escala a produção, especialmente a partir de 1828 nas colônias alemãs de São Pedro e Três forquilhas no litoral norte gaúcho.


Fonte - Rodrigo Trespach.

A Usina Santa Martha foi instalada em 12 de fevereiro de 1928 no mesmo local do antigo engenho da Lagoa da Pinguela, exatos 150 anos após o primeiro registro da produção de cachaça no território gaúcho e 100 anos após a primeira safra registrada pelos imigrantes alemães. O acontecimento foi tão importante que contou com a presença do então Presidente da Província e futuro Presidente brasileiro, Getúlio Vargas e seu padrinho político, o caudilho Borges de Medeiros.

Na usina Santa Martha se produziu o primeiro açúcar branco no RS, este era mesmo o principal objetivo, mas o mestre Câmara Cascudo estava correto: “Onde mói um engenho, destila um alambique”. E na Lagoa da Pinguela já existia um reinstalado no final do século XIX por João Issler e operado pela Bromberg & Companhia, empresa fundada em Porto Alegre pelo legendário imigrante alemão Martin Bromberg. A área e instalações foram adquiridas por Abraão Pereira de Souza, que se associou com Bernardo Dreher & Companhia, empresa de navegação lacustre que assumiu a logística de transporte do açúcar, da cachaça e do álcool. A Usina Santa Martha utilizava equipamentos importados da Alemanha e fabricados pela Siemens, Schuckert e Borsig. A produção chegou a 60 mil sacas anuais de açúcar cristal entre 1928 e 1938 quando encerrou as atividades.


Santa Martha envelhecida em grápia. Fonte - Ethylica.

A Santa Martha é a primeira marca registrada do Rio Grande do Sul e seu rótulo é um ícone na história da cachaça gaúcha, reproduzindo a paisagem exata da usina em sua melhor fase. Além da prata, a Santa Martha sempre foi envelhecida em barris e dornas de grápia e esta é uma tradição que se mantem até hoje, preservada pela Destilaria Weber Haus que em 2013 adquiriu a marca da também legendária Fazenda Maribo (vamos contar sobre isso também, mas em outro post).


Santa Martha Prata.

Atualmente a Usina Santa Martha é tombada como Patrimônio Histórico e Cultural do município de Osório através da Lei nº 2.881/1997.

Referências:

- Janete Rocha Machado. Empreendedorismo Teuto-Riograndense: O Caso das Empresas Bromberg & Cia. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/revistaihgrgs/article/view/86378. Acesso em: 08 fev.2021.

- OSÓRIO, Rio Grande do Sul, Brasil. Lei nº 2881 de 29 de julho de 1997. Declara tombadas as ruinas da Usina Santa Martha e dá outras providências. Disponível em: http://leismunicipa.is/jqcfr. Acesso em: 08 fev. 2021.

- Rodrigo Trespach. Breve história da Usina Santa Marta (1928). Disponível em: http://www.rodrigotrespach.com/2016/12/09/a-usina-santa-marta-1928/. Acesso em: 08 fev.2021.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Licor de butiás, tradição no sul do Brasil.

Foto - Portal das Missões.

O butiá - Butia capitata e outras subespécies - é uma palmeira nativa do Rio Grande do Sul, norte da Argentina e Uruguai que produz frutos levemente ácidos e muito nutritivos, sempre foi utilizado como fonte de alimentação pelos gaúchos, inclusive pelos nativos antes da ocupação territorial, sendo o nome de origem Tupi Guarani, m’butiá. Os tropeiros plantavam nos seus acampamentos e ao longo dos passos das tropas para aproveitarem os frutos em suas viagens. Com a maceração dos seus frutos em cachaça e açúcar se faz um licor muito apreciado e com sabores e aromas muito agradáveis. Uma curiosidade é que as frutas maduras apresentam as cores da bandeira do Rio Grande do Sul, amarelo, verde e vermelho.


Foto - Portal das Missões.

O licor de butiás é uma receita desenvolvida principalmente pelos imigrantes alemães que se estabeleceram em regiões em que eram abundantes estas palmeiras nativas e logo no início da produção da cachaça em suas colônias já combinaram os dois produtos. Desta fruta também se fazem doces e geleias. Nos últimos anos Nely Maicá desenvolveu o Pajuari, um vinho de butiás. Anualmente no município gaúcho de Giruá, na região turística das Missões, é realizada a Festa Internacional do Butiá. Várias marcas gaúchas tem licores de butiás em suas linhas de produtos. A Clarion, produtora da cachaça Santa Flora também desenvolve um projeto de pesquisa da espécie Butia odorata gigante em parceria com a Fepagro - Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária do RS - para exportar licores com a sua marca.


Pajuari, vinho de butiás. Foto - Portal das Missões.

A preparação artesanal do licor de butiás é muito comum no RS, com a mistura das frutas e a cachaça prata em recipientes de vidro para macerar. Algumas receitas misturam o açúcar junto, mas este processo geralmente deixa a bebida muito doce, sendo recomendável a preparação separada da calda e posterior mistura dos ingredientes.

Ingredientes:

- 1 kg de butiás maduros

- 2 litros de cachaça de alambique branca

Para a calda base:

- 1 kg de açúcar cristal

- 500 ml de água

Em um vidro de boca larga coloque os butiás para macerar com a cachaça por ao menos um mês. Ao final coe e reserve o líquido. Faça uma calda com o açúcar e a água, após esfriar misture bem com a cachaça macerada e deixe descansar por ao menos mais um mês. Então está pronto para o consumo, saúde!


Licor de butiás Clarion Santa Flora.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Diferenciação e inovação em cachaças e bebidas destiladas.

 Embalagem diferenciada dos Alambiques Gaúchos.

Neste artigo você vai entender o que são a diferenciação e a inovação e compreender como aplicar nas suas atividades, marcas ou produtos, tornando-os superiores e únicos, inclusive superando a concorrência por preços ao destacar atributos e valores exclusivos.

A diferenciação tem como objetivo tornar atraente para o público uma marca ou produto, demonstrando que há vantagens e recompensas – econômicas, técnicas, psicológicas - na sua aquisição em relação às outras possibilidades.

Não é somente uma modificação, adequação ou adaptação nos aspectos visíveis ou tangíveis relacionados aos objetivos do consumo, mas a criação de valores intangíveis que superam as características utilitárias, inclusive das outras marcas ou produtos disponíveis.

A diferenciação percebe valores para além das utilidades práticas usuais, identificando atributos e estabelecendo uma personalidade própria da marca ou produto, permitindo uma comunicação assertiva com o(s) nicho(s) e clientes. Alguns exemplos de diferenciação são a) preços únicos; b) experiências exclusivas; c) qualidade superior; d) customização.

O objetivo é entregar produtos ou serviços com percepção de qualidade e valores superiores, não concorrendo por preços, mas estabelecendo um posicionamento. A diferenciação é genérica quando o objetivo é o conjunto de um mercado, segmentada para parte(s) ou focalizada se voltada para um público específico.


 Água de Arcanjo, marca gaúcha com posicionamento segmentado e focalizado.
 Para conhecer - Clique aqui 

A Inovação é idealizar, produzir e comunicar de outras formas, com eficiência e resultados superiores aos padrões estabelecidos o desenvolvimento de novos ou melhores produtos. É a concepção, a elaboração, as soluções técnicas e de gestão que resultam em processos, produtos ou serviços inéditos ou aprimorados.

É a introdução de algo ou de um aspecto novo em uma atividade. Alguns exemplos são designs inovadores, uso de materiais diferenciados e o marketing de nichos. Inovação também é o aprimoramento de um produto para apresentar características e qualidades superiores, mais eficientes, sofisticadas ou inéditas.


 Weber Haus Diamant 21 Anos, exemplo de inovação em todas as etapas. 
 Para conhecer a Weber Haus - Clique aqui

Na diferenciação e inovação de cachaças e bebidas destiladas é
fundamental desenvolver atributos e propostas de valor exclusivas (não é preço, são os motivos, a história, os valores) que orientam e justificam o desenvolvimento dos produtos e a apresentação destes em formas e com conteúdos que comuniquem a essência das marcas. 

A inovação é aplicável na concepção de novos produtos, embalagens, rótulos, apresentação, comunicação, distribuição, qualidade, promoção, oferta e muito mais...

Mas para isso é preciso um método que identifique onde, como, porquê e para quem diferenciar e comunicar sua exclusividade.

Lembra-se dos quatro itens do quarto parágrafo - preço único, experiências exclusivas, qualidade superior e customização? Além destas quatro, nosso método avalia e combina mais de 20 formas de diferenciar e inovar em seus projetos e estabelece os atributos que você pretende para sua marca ou produto, a sua história exclusiva, que definirá sua identidade visual, sua personalidade, seu público e admiradores.

Quer diferenciar sua marca, inovar seus produtos e contar a sua própria história?

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terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Exportações de cachaça recuam em 2020. Rio Grande do Sul mantêm destaque.


Fonte - Site da Cachaça.

Pelo terceiro ano consecutivo as exportações brasileiras de cachaça tiveram queda nos valores – e volumes - em relação aos anos anteriores, em 2018 de 1,24%, em 2019 de 6,4% e em 2020 com a pandemia Covid e o fechamento dos bares, restaurantes, lojas e mesmo dos alambiques de forma temporária, assim como dos portos e aeroportos, o recuo das exportações foi de 34,79%, de U$ 14.603.011 para U$ 9.522.400. Somando os últimos três anos os valores exportados diminuíram 42,43%.

Não há indicadores próprios entre as exportações das cachaças de destilação contínua e as produzidas em alambiques, mas é fato consolidado que as primeiras têm um volume muito superior de exportações e possivelmente tenham sofrido um impacto maior em volume, apesar da consolidação logística já instalada.

O Rio Grande do Sul em 2018 exportou 4,89% e estava em 6º lugar. Em 2020 manteve-se entre os principais exportadores, mas oscilou de 8,30% e o 5º lugar em 2019 para 5,71% e o 7º lugar no ano passado com U$ 544.562. Em relação à Região Sul do Brasil que ficou em 3º lugar, o RS exportou 41,61%. Importante que o Rio Grande do Sul exporta para ao menos 30 países e apenas cachaças de alambique, enquanto a maioria dos Estados e regiões possuem foco na exportação de cachaças de coluna.

Fonte - Site da Cachaça.

A cachaça que ficou em primeiro lugar na preferência dos profissionais como bartenders e sommeliers internacionais em 2020 é produzida pela destilaria Weber Haus de Ivoti/RS, consolidando uma tendência que se manteve nos últimos anos  da preferência dos consumidores por produtos de melhor qualidade, diferenciados e inovadores. Clique aqui.

Espera-se que para este ano de 2021 com a possibilidade da retomada das atividades, as exportações de cachaça se ampliem novamente, no entanto é possível que ainda demore algum tempo para voltar-se aos patamares anteriores. Quanto ao RS, certamente continuará sendo reconhecido pela qualidade dos seus produtos e estará entre os principais exportadores, sendo possível que recupere ou mesmo supere as posições anteriores em termos de volume e valores.

Para conhecer as informações detalhadas sobre as exportações brasileiras de cachaça em 2020 acesse o Site da CachaçaClique aqui.

Outros sites importantes:

Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro – Clique aqui.

Números da cachaça em 2018 – Clique aqui.

Números da Cachaça em 2019 – Clique aqui.


domingo, 10 de janeiro de 2021

Yaguara em 1º lugar nos melhores bares internacionais.

Foto - Mapa da Cachaça.

 

Anualmente a Drinks International, publicação inglesa e uma das principais referências do mercado de destilados, publica as pesquisas Best Selling Brands relacionada às marcas mais consumidas e Top Trending Brands com as tendências de consumo identificadas pelos bartenders e sommeliers que atuam nos bares listados no The Word Best Bar, casas que influenciam e estabelecem tendências na coquetelaria e na mixologia internacional. As pesquisas relacionadas ao ano passado foram divulgadas no dia 06/01 com 106 bares, todos fora do país, com predominância da Europa, EUA e Ásia.

A cachaça Yaguara produzida em Ivoti pela destilaria Weber Haus, situada na Linha 48, na região turística da Rota Romântica no Rio Grande do Sul, está em 1º lugar nos dois rankings divulgados. Nas listas anteriores a Yaguara também aparecia, mas em 5º lugar o que demonstra a competitividade da marca e certamente também a sua qualidade ao superar marcas consagradas e com muito mais tempo no mercado. A Yaguara tem como foco o mercado externo e atualmente está em 30 países de todos os continentes.

A Yaguara é produzida em pequenos lotes e a linha de produtos da marca é composta por três cachaças em garrafas exclusivas com 750 ml, a Branca descansada um ano em inox com 40,5 GL, a Ouro, blend de carvalho americano, cabreúva e amburana com 1 ano de envelhecimento e 42 GL e a Blue Orgânica, um blend de cachaças armazenadas um ano em inox com envelhecidas em carvalho europeu por cinco anos com 41,5 GL.

Acesse a página da Yaguara e conheça a história, os processos de produção, a qualidade diferenciada e exclusiva dos produtos desta marca - clique aqui.

Este artigo tem como referência as informações da Drinks International. Conheça as outras marcas citadas no ranking da revista - clique aqui.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Primeiro artigo... em 2021.

Nesta primeira postagem comemoramos quatro anos de atividades na divulgação das cachaças e bebidas destiladas gaúchas. O primeiro artigo foi postado no dia 1º de janeiro de 2017 onde divulgamos a nossa missão e as atividades de assessoria e consultoria que realizamos desde então. Para ler clique aqui.

Neste período recebemos o reconhecimento dos produtores e marcas gaúchas, com muitas visitas aos alambiques, lojas, feiras e eventos, destacando também os prêmios conquistados nos rankings e concursos nacionais e internacionais pelas marcas do RS. A divulgação destas atividades também nas redes sociais @asnoalambique no Instagram e @rsno alambique no Facebook tornou esta página uma referência quanto às bebidas gaúchas, com um rápido aumento dos acessos e muitos contatos dos leitores e também dos produtores para os quais direcionamos artigos técnicos sobre produção, envelhecimento, blends e educação dos consumidores.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Último artigo... em 2020.

Cachaças gaúchas - Foto: Aprodecana.

Neste último artigo do ano não vou falar das cachaças e bebidas destiladas gaúchas, dos destaques, dos prêmios, dos produtos ou das marcas. Quero falar um pouco dos profissionais e me solidarizar com os trabalhadores da cadeia produtiva da cachaça, não somente do Rio Grande do Sul, mas de todo o país, afinal nossa bebida é um orgulho nacional, não importa o Estado.

Em 2020 o ano foi difícil para o setor, desde a produção, a logística com falta de garrafas, caixas de transporte e produtos e outros itens essenciais, mas também na ponta do consumo, com a limitação das atividades ou mesmo o fechamento de bares, restaurantes, lojas e outros espaços, principal foco de muitas marcas e produtos e fonte do trabalho e da renda dos profissionais como bartenders, sommeliers e outros relacionados com a coquetelaria, gastronomia, turismo e eventos. A suspensão das feiras como a Expocachaça e outras também impactou em muito as atividades dos produtores e marcas.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Todos os destaques e medalhas gaúchas em 2020.

Buteco do Jay Extra Premium, Medalha Duplo Ouro. Foto - CN.

O ano de 2020 foi bastante complicado para a saúde em escala global com a pandemia Covid 19 em várias ondas e os consequentes impactos sobre a economia e o consumo, alterando em muitos casos de forma irreversível como as pessoas se relacionam umas com as outras e também com as marcas e produtos. Mas as cachaças gaúchas continuaram se destacando na preferência dos consumidores e nos concursos com várias medalhas, o que ajudou a amenizar os impactos negativos sobre as vendas, principalmente nas feiras que foram suspensas.

Em março, as gaúchas das marcas Leandro Batista e Weber Haus 7 Madeiras ficaram entre as escolhidas pela Cúpula da Cachaça na categoria Armazenada/Envelhecida. Na categoria Premium/Extra Premium a Casa Bucco Extra Premium e a Weber Haus Extra Premium 6 Anos foram as destacadas. Este concurso é realizado cada dois anos em três fases, iniciando com 250 cachaças indicadas pelos consumidores, 50 destacadas por especialistas de todo o Brasil e as 10 melhores escolhidas pelos componentes da Cúpula da Cachaça nas categorias pré definidas.