quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Bolichos e pulperias no sul do mundo.

Pulperia, ilustração de Rodolfo Ramos.

O bolicho de campanha era o local que servia como armazém para os gaúchos que residiam distantes dos centros comerciais, geralmente peões, capatazes e alambradores das estâncias. Também eram os pontos de paradas onde os araganos e andarilhos do sul do continente descansavam, alimentavam os cavalos, encontravam charque, bolachas, rapaduras e outros alimentos e claro tomavam um trago de cachaça, “um gole de pura pra espantar o calor”. Telmo de Lima Freitas, compositor gaúcho.

Existiam dois tipos de bolichos, os que vendiam cachaça e vinho, também conhecidos na campanha como pulperias, influência dos espanhóis da região do Rio da Prata e norte da Argentina e do Uruguai, o balcão era protegido por grades, pois que por ali se achegavam além dos peões, uns araganos, gaudérios, gaúchos andarilhos vindos lá do outro lado do rio, uns até meio mal encarados que traziam lanças e adagas... Traziam também guitarras pampeanas e eventualmente gaitas de oito baixos. nas regiões dos imigrantes açorianos e italianos eram conhecidas como bodegas. O outro tipo era o armazém, que vendia de tudo, desde itens de montaria ao café, erva mate, farinhas, fumo em corda, sal, tecidos rústicos, velas, remédios e claro também a cachaça e o vinho que chegavam através dos tropeiros ou dos carreteiros que distribuíam as mercadorias nas longínquas estâncias do interior gaúcho.

Esta cachaça procedia das colônias de imigrantes açorianos, alemães, italianos e poloneses onde era também negociada por mercadorias indispensáveis aos imigrantes. A cachaça foi a primeira moeda de troca utilizada em grande escala no Rio Grande do Sul.


El Boliche de Virtú, ilustração de Mario Zavattaro. 


Os bolichos também eram o centro da vida cultural e social de muitas comunidades e estâncias.  Além das bailantas animadas por acordeons e guitarras campeiras, sempre existia uma cancha reta para a disputa das carreiras dos cavalos, um local para brigas de galos, mesas para o jogo de cartas e uma cancha de Tava, o famoso jogo do osso das regiões fronteiriças do Rio Grande do Sul. Saiba mais sobre o jogo da Tava - Clique aqui.

Onde tinha um bolicho ou uma pulperia existiam árvores, cavalos, músicas, danças e gaúchos de passagem. Geralmente era uma casinha humilde e isolada, o ponto de chegada de quem troteava em um longo caminho do Pampa, da Campanha ou das Serras com fome e sede, apeava e espichava as pernas e refrescava a goela com um trago de canha.

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Alambique e doces Seleção - Santo Antônio da Patrulha/RS.

Imagem - Marketing Alambique Seleção.

A cana-de-açúcar chegou ao Rio Grande do Sul através dos imigrantes açorianos que a partir de 1752 colonizaram as áreas do litoral gaúcho como política de ocupação definitiva da região pelo império português. Até o Tratado de Madri em 1750 o Rio Grande do Sul pertencia à Espanha e os açorianos foram os primeiros que se fixaram definitivamente no território gaúcho e trouxeram as mudas da cana diretamente das ilhas dos Açores e Madeira.

Com a criação da Freguesia de Santo Antonio da Patrulha em 1771 os portugueses consolidam a ocupação do litoral gaúcho. É nesta região, no local conhecido como Posto da Guarda que em 1772 os irmãos portugueses Manoel e Antonio Nunes Benfica cultivam as primeiras mudas de cana e possivelmente instalaram um pequeno alambique.

Em 1809 Santo Antonio da Patrulha se torna o primeiro município gaúcho e sempre esteve relacionado com a produção da cana-de-açúcar e seus derivados. O município é conhecido como a Terra da Cachaça e da Rapadura tal a importância desta planta para a fixação dos colonizadores e a cultura luso açoriana, predominante entre os habitantes e presente em muitas manifestações culturais do município e do litoral gaúcho.

Imagem - Marketing Alambique Seleção.

No município existem muitos empreendimentos agro industriais familiares e entre estes está a Fábrica de Doces Seleção que produz açúcar mascavo, doces com vários sabores, rapaduras, mandolates, melado, paçoca, pé-de-moleque e  torrones. Também a partir de 14 de janeiro de 2022 obteve o registro no Ministério da Agricultura e se constituiu no mais recente alambique gaúcho com sua produção legal, o que amplia o catálogo de produtos, consolida a marca e abre espaço para que as cachaças com produção própria no Alambique Seleção se afirmem no mercado regional e em breve ganhem o mercado estadual e nacional.

Além das cachaças prata e envelhecidas será produzida aguardente de rapaduras e licores diversificados, inclusive da erva mate (Ilex paraguariensis), a planta utilizada no chimarrão gaúcho, hábito profundamente enraizado na cultura e nas tradições do Rio Grande do Sul.

Imagem - Marketing Alambique Seleção.

No princípio a comercialização das cachaças, aguardente de rapaduras e licores será na loja localizada no centro de Santo Antonio da Patrulha e no Seleção Parrilla, um restaurante que também pertence à família e que tem como especialidade do cardápio pratos tradicionais da culinária gaúcha e açoriana.

Em breve também serão encontradas em outros locais e lojas especializadas.

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sábado, 8 de janeiro de 2022

A cultura e a história da cachaça no Rio Grande do Sul.

Leomar De Bortoli e Antonio Silvio Hendges. Foto: Zeto Teloken.

(Quase) Todos os Segredos das Cachaças Gaúchas - Cultura e história da cachaça no Rio Grande do Sul é o nome do livro impresso e digital que será lançado no mês de abril, assinado pelos professores Antonio Silvio Hendges e Leomar De Bortoli, com uma pesquisa extensa nas cachaçarias, colecionadores, museus e tanoarias e regiões produtivas gaúchas.

Esse projeto cultural, que conta com financiamento do Pró Cultura – Governo do Estado do RS e realização da Associação Atlanthica resgatará a história, características, madeiras, peculiaridades sensoriais, gastronomia, coquetelaria, variedade, métodos, principais produtores e marcas das cachaças de alambique do Rio Grande do Sul, reconhecidas e premiadas em eventos e concursos nacionais e internacionais como bebidas destiladas de excelência.

Segundo os pesquisadores, “o cultivo da cana de açúcar e a produção de cachaças foram fundamentais para a sobrevivência e a economia das diversas colônias de imigrantes açorianos, alemães, italianos e outros que se fixaram no território do Rio Grande do Sul, nos séculos XVIII e XIX”. Também a importância dos tropeiros na distribuição e trocas de mercadorias tendo a cachaça como moeda está sendo abordada no livro, em uma perspectiva fundamental do desenvolvimento histórico e econômico regional.

A agricultura familiar orgânica como método de produção será outro destaque como um diferencial importante da qualidade das cachaças e bebidas destiladas no Rio Grande do Sul. A descrição dos produtores e principais marcas atuais têm como objetivo descrever o panorama da produção gaúcha de cachaças de qualidade, divulgar e incentivar o turismo personalizado nos alambiques e áreas de produção.

Os responsáveis pelas pesquisas e redação do livro (Quase) Todos os Segredos das Cachaças Gaúchas são os professores Antonio Silvio Hendges e Leomar De Bortoli, profundos estudiosos sobre a história e a produção da bebida.

Antonio Silvio é biólogo, pós-graduado em Auditorias Ambientais, com formação em cursos de Ciência e Produção de Cachaças de Qualidade, Envelhecimento de Bebidas Destiladas, Master Blender e Multissensorial de Bebidas Destiladas, Mestre Alambiqueiro e editor do Blog RS no Alambique; Leomar De Bortoli é matemático e físico, mestre em Ensino de Ciências e Matemática, Master Blender e Multissensorial das Bebidas Destiladas e ex-presidente da Confraria Gaúcha da Cachaça.

Com o lançamento da publicação, nos formatos impresso e digital, previsto para o mês de abril, esse projeto cultural tem patrocínios da LNF – Latino Americana, Multimóveis, PCR Metal e RG Inox.

Curiosidades sobre as cachaçarias gaúchas

Segundo o Instituto Brasileiro de Cachaça – IBRAC, a cachaça é o destilado mais consumido pelos brasileiros, presente em mais de 77 países, e um dos quatro destilados mais consumidos em todo mundo. Com 500 anos de história, também é o primeiro destilado das Américas e a primeira Indicação Geográfica do Brasil, ou seja, parte da identidade do Brasil. A bebida tem contribuído para o desenvolvimento do país, com toda sua relevância cultural, social e econômica, nas cinco regiões.

No Anuário da Cachaça 2020 o Rio Grande do Sul está na quinta posição com 43 (4,8%) dos estabelecimentos legalizados. No registro de produtos está na quarta colocação com 193 (6,32%) e em quarto lugar no registro de marcas com 295 (7,36%). O destaque fica para o município de Ivoti, principal polo produtor gaúcho, em sétimo lugar no registro de produtos por município com 32 (1,04%) e em terceiro lugar no registro de marcas com 99 (2,47%). Em relação ao número de produtores por habitantes, são 3,8 estabelecimentos registrados para cada milhão de gaúchos, atualmente em 11,377 milhões.

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domingo, 2 de janeiro de 2022

Cinco curiosidades sobre a cachaça no Rio Grande do Sul.

Livro (Quase) Todos os Segredos das Cachaças Gaúchas


Os açorianos No Brasil, a produção da cachaça se inicia com a colonização portuguesa ainda no Século XVI e expande-se no ritmo das conquistas territoriais, mas no Estado do Rio Grande do Sul somente no Século XVIII com a colonização dos Açorianos é que tem início o cultivo da cana-de-açúcar e a sua produção.

Os primeiros engenhos e possivelmente pequenos alambiques chegaram em 1770, trazidos pelos irmãos Manoel e Antônio Nunes Benfica que se instalaram em um local denominado Posto da Guarda, atual município de Santo Antônio da Patrulha. Em 1773, Domingos Fernandes Lima, trouxe mudas de cana-de-açúcar da Ilha da Madeira e  instalou um engenho nas margens da Lagoa da Pinguela na Estância da Serra, no atual município de Osório, onde iniciou a produção da cachaça e outros produtos derivados da cana, como o melado, o açúcar e rapaduras.

 Os alemães A colonização alemã no RS iniciou-se em 1824 e a partir de 1827 os imigrantes protestantes se instalaram em Três Forquilhas e os católicos na Colônia São Pedro, atuais municípios de Torres e Dom Pedro de Alcântara no litoral norte do Estado. Estes aprenderam com os açorianos a cultivar e utilizar a cana de açúcar que se tornou um dos principais cultivos. A destilação da cachaça iniciou-se em 1829 ou 1830 aproveitando a experiência anterior dos alemães na produção de um destilado de batatas denominado schnaps.


Em 1850 a escala de produção já era significativa, com a produção em Três Forquilhas de 91 tonéis e em Colônia São Pedro de 632 tonéis de 500 litros. Nestas duas áreas, a cachaça tornou-se o principal derivado da cana. Atualmente várias marcas gaúchas mantêm as influências destes colonizadores.

Os italianos Em 1875 iniciou-se a colonização italiana no RS e os imigrantes se fixaram em áreas que lembravam geograficamente e no clima o país de origem, nas regiões serranas onde passaram a desenvolver a agricultura, plantar videiras e destilarem a grappa, um derivado do bagaço fermentado da uva. Colônia Nova Milano atual município de Farroupilha, Colônia Conde D’Eu atual Garibaldi e Colônia Nova Isabel atual Bento Gonçalves são os núcleos originais da colonização italiana no RS.

Monumento aos Imigrantes Italianos em Bento Gonçalves/RS.

Logo após a instalação, os imigrantes começaram a desenvolver o cultivo da cana-de-açúcar e com a experiência adquirida na destilação da grappa, a produção de cachaça e outros derivados que se tornaram essenciais nas relações econômicas e de sobrevivência das novas colônias. Os imigrantes italianos desenvolveram muito a tanoaria ao introduzirem no RS os barris conhecidos como bordalesas.

Os tropeiros Os Tropeiros foram os principais responsáveis pelo transporte e distribuição das mercadorias no interior do Brasil durante mais de duzentos anos, do fim do Século XVII até o início do Século XX, aproximadamente de 1695 até 1930. Muitas cidades atuais foram fundadas ao longo dos caminhos das tropas formadas por muares, animais de carga resistentes que percorriam grandes distâncias. Um dos produtos que transportavam era a cachaça distribuída nas estâncias do interior gaúcho e também nas vilas e cidades ao longo dos passos das tropas.

Foto rara dos últimos tropeiros em Palmeiras das Missões/RS.

Alguns tropeiros distribuíam especialmente a cachaça e ficaram famosos pela qualidade e cuidados. Um destes tropeiros foi o gaúcho Bento Albino de Abreu, grande conhecedor das regiões interioranas e das trilhas da serra e do litoral. Em sua homenagem a marca Bento Albino é produzida no Alambique do Espraiado no município de Maquiné/RS.

A Aprodecana e os Alambiques Gaúchos Atualmente, a Associação dos Produtores de Cana de Açúcar e Seus Derivados do Rio Grande do Sul – Aprodecana, é a representante dos produtores gaúchos de todas as regiões do Estado. marca institucional  Alambiques Gaúchos promove a cachaça gaúcha no Brasil e no mercado externo em diversos países como a Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos e Inglaterra.


A produção orgânica, em sistema de agricultura familiar torna a cachaça gaúcha um produto regional diferenciado, que utiliza os processos mais modernos ao mesmo tempo em que valoriza os aspectos históricos e culturais das suas origens.

Visite os alambiques gaúchos e conheça a cultura, a história, as tradições, e a qualidade das cachaças e dos produtos da agricultura familiar do Rio Grande do Sul.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Cachaças do Sul - Nova loja online das cachaças do PR, SC e RS.

Inaugurada neste mês de dezembro, a loja online Cachaças do Sul traz aos consumidores mais uma opção ao adquirirem suas bebidas preferidas. Com enfoque nas cachaças, licores e bebidas destiladas produzidas na Região Sul pretende em breve tornar-se referência na distribuição das marcas sulistas aos consumidores. Uma vantagem é que por estar mais próxima dos produtores, com sede em Porto União no planalto norte de Santa Catarina terá preços competitivos ao negociar diretamente com os alambiques.

A loja Cachaças do Sul é um antigo projeto de Paulo Souza, natural de Porto União/SC, que divide seu tempo entre a comercialização do destilado brasileiro e a profissão de bartender. Desde que iniciou na coquetelaria despertou sua paixão pela cachaça e se aprofundou em cursos e estudos de avaliação sensorial da nossa bebida nacional.

A curiosidade em explorar o rico universo da cachaça, seus rótulos, a grande variedade de madeiras utilizadas no seu envelhecimento e as possibilidades dos blends levaram a uma ampla experiência com a nossa querida bebida.  Aliado ao seu conhecimento e experiência começou a fazer vendas de maneira informal por aplicativos de redes sociais, daí a evolução para uma loja online foi inevitável.

A logomarca traz uma araucária, o pinheiro brasileiro, árvore típica desta região e o objetivo da nova loja Cachaças do Sul é se tornar referência na oferta de rótulos regionais dos três estados sulistas. O grande número de marcas e o elevado padrão de qualidade das cachaças locais comprovado pelas premiações nos concursos nacionais e internacionais fortalecem esta ideia e também abre espaço para novos produtores e novas marcas.

O blog RS no alambique deseja sucesso para o empreendedor Paulo Souza e a loja Cachaças do Sul.

Conheça a loja Cachaças do Sul

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Antonio Silvio Hendges

Assessoria e consultoria

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Cachaças gaúchas na 1ª fase do Ranking da Cúpula.

A Cúpula da Cachaça é um ranking que escolhe as melhores cachaças a cada dois anos. É realizado em três fases: a primeira indica as marcas participantes através do voto direto dos consumidores em suas preferidas que escolhem três marcas por eleitor e são selecionadas as 250 mais votadas sem a interferência dos produtores ou especialistas; na segunda fase 40 especialistas independentes selecionam as 50 melhores entre as classificadas; na terceira fase a Cúpula da Cachaça formada por 12 profissionais que integram a organização reúnem-se e através de uma degustação às cegas atribuem notas às escolhidas na fase anterior. Estas notas são estatisticamente analisadas por profissionais independentes e os resultados separados em três categorias: pratas, armazenadas e envelhecidas, Premium e Extra Premium.

Acesse o site da Cúpula da Cachaça - Clique aqui.

O Ranking da Cúpula está em sua 5ª edição e divulgou o resultado da primeira fase com as 250 mais votadas pelo público. São cachaças de todas as regiões do Brasil e que contemplam a ampla diversidade do nosso destilado nacional. Nesta fase o Rio Grande do Sul está presente com 11 indicações entre as selecionadas diretamente pelos consumidores.

- Buteco do Jay - Weber Haus

- Casa Bucco 8 Madeiras - Amburana, Angico, Bálsamo, Cabriúva, Carvalho, Grápia, Louro, Jequitibá Rosa

- Casa Bucco Extra Premium

- Casa Bucco Extra Premium 6 Anos

- Casa Bucco Prata

- Rafael Araújo - Weber Haus

- Velho Alambique Carvalho Premium

- Velho Alambique Cenário - Blend Extra Premium de angico, carvalho americano e grápia.

- Velho Alambique Porcelana - Envelhecida em angico, carvalho americano e grápia.

- Weber Haus 7 Madeiras - Carvalho francês, carvalho americano, amburana, bálsamo, canela sassafrás, cabreúva e grápia.

- Weber Haus Extra Premium 6 anos

Agora é aguardar a segunda fase para conhecer as escolhidas pelos especialistas e quais as gaúchas que estarão entre as 50 melhores cachaças neste 5º Ranking da Cúpula da Cachaça.


Antonio Silvio Hendges

Consultoria

sábado, 20 de novembro de 2021

Weber Haus Diamant 21 Years Old Edição Limitada.

Após pai e filho deixarem cachaça envelhecendo por duas décadas, bebida é lançada com diamante incrustado na garrafa e preço entre R$ 5 mil e R$ 9 mil.

Além do sabor único, a Weber Haus Diamant 21 years old será vendida em uma edição limitada de 1.000 garrafas. A garrafa número 0001 foi leiloada no dia 18 de novembro em Ivoti (RS) e arrematada pelo valor de R$66.948,00

No ano de 1824 a família Weber deixou Hunsrück, na Alemanha, para se fixar na região sul do país, nas florestas das encostas da Serra Gaúcha, hoje conhecida como Ivoti. Inicialmente, o lucro da família era obtido através do plantio da batata inglesa para a produção de uma bebida chamada ‘schnaps’. Mas em 1848, com o plantio de cana-de-açúcar tem início a elaboração de cachaça com o objetivo de consumo. O início comercial da Destilaria H. Weber dá-se apenas um século depois do primeiro destilado elaborado, em 1948.

Com o tempo, o processo foi se modernizando e o negócio acabou passando de pai para filhos, fazendo com que a destilaria fosse inovando ano após ano e ganhando cada vez mais espaço e credibilidade no mercado. Foi então que, no ano de 2001 a terceira geração da família Weber criou a marca Weber Haus, um marco no mercado das cachaças artesanais e que transformou a destilaria que até então atendia apenas o mercado regional (Ivoti, Dois Irmãos e Novo Hamburgo), em uma empresa de rótulos sofisticados, sabores únicos e receitas elaboradas.

E para celebrar os 21 anos da Weber Haus, a marca acaba de lançar a cachaça Weber Haus Diamant 21 years old, um produto inédito, diferente de tudo o que a empresa já lançou e com sabor incomparável. Apesar de ser lançada em 2021, a história da bebida começa no ano 2000, período onde o mundo aguardava uma nova era, mudanças e revolução. Hugo Weber e seu filho Evandro Weber decidiram elaborar uma cachaça e deixar ela envelhecendo em seus melhores tonéis.

“Até então não tínhamos ideia de qual seria o nome, destino ou característica do produto, apenas sabíamos que essa seria a grande joia da destilaria”, explica Evandro Weber, diretor da destilaria. Ano após ano, pai e filho se debruçavam sobre as barricas para fazer uma criteriosa degustação individual e sempre se surpreendiam com o sabor e a evolução da bebida, resultado das características únicas dos barris de carvalho.

Foi então que em 2021, depois de duas décadas, a bebida foi retirada das caves subterrâneas das barricas antigas para ser lançada no mercado com o nome de Weber Haus Diamant 21 years old. A ideia do nome é uma alusão à pedra preciosa, que para conquistar o status de joia, precisa da intervenção do homem para ser lapidada, esculpida e trabalhada, além de conhecimento e paciência para conseguir um resultado impecável e surpreendente. “Queremos proporcionar uma experiência única que vai muito além de degustar uma cachaça, é uma imersão em um universo de sabores, cores, aromas e conhecimento”, diz Weber.

Além do sabor único, a Weber Haus Diamant 21 years old será vendida em uma edição limitada de 1.000 garrafas. E por se tratar de uma data tão especial, serão duas opções de embalagens que traduzem justamente o luxo e a nobreza do produto. A garrafa no formato de um diamante vem em um estojo de madeira espelhado. A Weber Haus Diamant 21 years old com a embalagem tradicional será vendida por R$5.948,00. Já a versão com um diamante de 3,65mm incrustado na garrafa custa R$9.948,00.

“Por ser algo totalmente diferente do que nós já fizemos na história, além de ser uma forma de comemorar os 21 anos da Weber Haus e celebrar a amizade entre pai e filho, nós queríamos que tudo nela fosse diferente e especial, por isso fizemos essa embalagem à altura da bebida”, ressalta o diretor. A garrafa número 0001 foi leiloada no dia 18 de novembro em Ivoti (RS) e arrematada pelo valor de R$66.948,00.

Envelhecida seis anos em Carvalho Francês e quinze anos em Bálsamo e com graduação alcoólica de 40%, a bebida possui características sensoriais de nozes, chocolate, tabaco, baunilha, canela, amêndoa e erva doce. A bebida pode ser adquirida através da loja oficial da marca.

“A cachaça é uma bebida que representa o Brasil, então olhar toda nossa trajetória e ver que nós fazemos parte de tudo isso é muito emocionante, e lançar a Weber Haus Diamant 21 years old é uma forma de brindarmos e agradecermos a todos os nossos clientes e colaboradores que contribuem e contribuíram para chegarmos até aqui”, finaliza o diretor.

Para saber mais sobre a Weber Haus clique aqui.

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Telefone: (11) 91030-3530 

domingo, 7 de novembro de 2021

Rota Cultural Cachaças Gaúchas.

A cachaça no Rio Grande do Sul tem aspectos culturais e históricos peculiares. O Estado se desenvolveu mais tarde como parte do território português e a partir de 1752 com a imigração dos açorianos começou a ocupação definitiva do território gaúcho. As primeiras mudas de cana-de-açúcar trazidas por estes imigrantes diretamente das ilhas de origem em 1770 foram cultivadas no local conhecido como Posto da Guarda no atual município de Santo Antonio da Patrulha. A primeira destilação ocorreu em 1778 na margem da Lagoa da Pinguela em Osório no litoral gaúcho.

Com a imigração dos alemães a partir de 1824 e sua fixação nos vales dos Rios dos Sinos e Caí e no litoral, a produção de cachaça se expande para uma escala que além do consumo local permite o seu uso como moeda de troca das colônias com os tropeiros na aquisição de outros produtos como ferramentas, tecidos e medicamentos. Os imigrantes italianos a partir de 1875 e os poloneses em 1886 ampliam a importância da cachaça para a sobrevivência das colônias que se fixaram nos vales dos rios serranos e nas regiões montanhosas onde cultivam a cana em pequenos lotes nos microclimas da serra gaúcha.

Usina Santa Martha - Primeira marca de cachaça gaúcha registrada em 1928.

Esta saga está sendo resgatada pelos autores Antonio Silvio Hendges e Leomar De Bortoli que com apoio da lei estadual de incentivo à cultura, Pró-Cultura/RS estão produzindo o livro impresso e digital (Quase) Todos os Segredos das Cachaças Gaúchas – Cultura e história da cachaça no Rio Grande do Sul. Os autores estão visitando 33 alambiques, tanoarias, museus e colecionadores em seis regiões e percorrerão mais de seis mil km, do litoral até o extremo oeste do Estado gaúcho na divisa com a Argentina.

Os autores contam com o apoio de uma equipe de assessoria e produção composta por agentes culturais, produção visual e desenvolvimento gráfico. Os recursos financeiros são destinados por empresas parceiras e posteriormente descontados do ICMS devido ao Estado de acordo com os repasses aprovados ao projeto. O prazo de produção é de oito meses com o lançamento previsto para maio/2022.

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